No fim de um treino, sabemos quase sempre dizer se foi duro. Nem sempre sabemos dizer o que melhorámos.
No fim de um treino, sabemos quase sempre dizer se foi duro. Nem sempre sabemos dizer o que melhorámos.
Lembramo-nos do peso, das repetições, de ter acabado sem fôlego. São sinais imediatos de esforço. Perceber se estamos mais fortes, se controlamos melhor um movimento ou se aguentamos mais tempo exige comparar o que fazemos hoje com o que conseguíamos fazer antes.
A diferença parece pequena. Mas muda a forma como olhamos para o treino.
Pensemos num agachamento. Durante várias semanas, o peso na barra mantém-se. À primeira vista, nada mudou. Só que agora os pés ficam bem assentes no chão, a descida é controlada e a última repetição sai tão segura como a primeira. Houve progresso. Apenas não foi preciso acrescentar discos para o mostrar.
É fácil deixar passar esta evolução quando esperamos que cada sessão seja mais pesada, mais longa ou mais cansativa. Podemos até encarar como um mau treino uma sessão que nos custou menos, sem reparar que conseguimos fazer o mesmo trabalho com maior facilidade.
Os fundamentos merecem essa atenção. Dosear o esforço. Controlar o movimento. Repetir com consistência. Parecem assuntos de principiante, mas continuam a contar quando aumentam o peso, a velocidade ou a duração.
Entretanto, no ecrã, há sempre outro exercício à espera. Uma nova variante, um circuito diferente, mais um desafio. Experimentar pode ser útil. Mas, quando mudamos constantemente, torna-se difícil perceber o que está a resultar e o que ainda precisa de trabalho.
Nenhuma sessão, por si só, conta a história toda. Para isso, precisamos de continuidade e de alguns pontos de referência. Algo que permita reconhecer uma mudança, mesmo quando ela não impressiona ninguém à primeira vista.
«Vou treinar» é a parte que cabe no calendário. A árvore que vemos. A floresta vai crescendo ao longo das semanas, naquilo que aprendemos e nas capacidades que desenvolvemos.
Da próxima vez que um treino parecer mais fácil, vale a pena pensar antes de o tornar mais difícil. Pode ser precisamente o trabalho das últimas semanas a dar resultado.