Ao escolher um ginásio ou um treinador, é fácil comparar mensalidades. Menos evidente é o tempo e o dinheiro que se vão somando entre novas inscrições, métodos e promessas. Uma reflexão sobre o custo de continuar à procura do mesmo resultado.
O que fica fora da mensalidade
Antes de perguntar quanto custa o próximo mês de treino, vale a pena fazer outra conta: quanto já gastámos a tentar chegar ao mesmo resultado?
Somam-se mensalidades, programas, deslocações e horas que tivemos de arranjar no meio do resto da vida. Tudo isso conta, mesmo quando o único valor que comparamos é o que sai da conta ao fim do mês.
Por vezes, mal o treino perde a novidade e começa a exigir paciência, procuramos outra proposta. É um bocadinho como mudar de explicador sempre que a matéria começa a dar trabalho. Ao fim de um ano, conhecemos três explicadores. A matéria continua por aprender.
Mudar pode ser uma boa decisão. Um acompanhamento fraco, um horário impossível ou uma despesa que já não conseguimos suportar são razões concretas. Mas, quando saímos sempre pelo mesmo motivo, convém perceber o que estamos a levar connosco para o próximo sítio.
Não perdemos tudo o que construímos. Podemos, no entanto, interromper tantas vezes o trabalho que nunca chegamos a perceber o que nos estava a ajudar. Acumulamos experiências, mas poucas referências. E ter anos de inscrições nem sempre significa ter anos de treino consistente.
Antes de voltar a mudar, fica a pergunta: o que vai ser diferente desta vez, além do sítio e de quem passa o plano?
Podemos pagar menos por sessão e acabar por gastar mais num percurso feito de recomeços. Pelo meio, vão ficando o tempo, a confiança e os objetivos por cumprir.
Essa parte nunca vem discriminada na fatura.